Ela e duas pessoas vasculharam o Aterro da Caximba, mas não encontraram o dinheiro. Cédulas estariam em uma bolsa que teria sido descartada por engano
31/03/2010 | 20:07 | Felippe Aníbal
Uma mulher não identificada esteve no Aterro da Caximba, em Curitiba, na manhã desta quarta-feira (31), vasculhando o conteúdo de um dos caminhões, na expectativa de reencontrar R$ 100 mil em espécie que ela teria jogado no lixo por engano. O dinheiro estaria em uma bolsa que foi jogada no lixo comum, recolhido pelas equipes de limpeza pública na noite de terça-feira (30).
Na manhã desta quarta, a gerência do Aterro recebeu uma ligação da mulher, que passou o prefixo do caminhão que teria recolhido o material e pediu autorização para procurar pelo dinheiro. Com a identificação do veículo, a carga foi depositada em um canto do local e preservada, ao invés de ser compactada e aterrada.
Acompanhada de outras duas pessoas, a mulher chegou ao Aterro por volta das 9 horas. Segundo o gerente do local, Luiz Celso Coelho da Silva, ela não apresentava sinais de desespero ou de descontrole emocional por ter perdido o dinheiro. A mulher também não informou como ela se enganou e jogou a bolsa que continha as cédulas.
Por cerca de uma hora, ela e os acompanhantes vasculharam o conteúdo do caminhão – cerca de cinco toneladas de lixo –, mas não encontraram o dinheiro. A procura foi acompanhada por fiscais e guardas do aterro. De acordo com a gerência, o caminhão que fez a coleta na residência da mulher é uma unidade que recolhe lixo doméstico normal.
Segundo Coelho da Silva, a notícia da “bolsa de R$ 100 mil” se espalhou rapidamente e outras pessoas foram até o Aterro para procurar o dinheiro. Entretanto, além da mulher e das pessoas que a acompanhavam, mais ninguém conseguiu autorização para ter acesso ao local.
Constituição do Paraná exige que todos os poderes estaduais divulguem relação atualizada de servidores até o mês de março
01/04/2010 | 00:04 | Katia Brembatti e Guilherme Voitch
A Assembleia Legislativa do Paraná não divulgou a relação atualizada de seus funcionários até ontem e desrespeitou a Constituição Estadual – que ordena que a lista seja divulgada todos os anos até o mês de março. A justificativa oficial da Casa para não publicar a lista é que só após concluir o recadastramento dos servidores, previsto para ser finalizado em 17 de maio, é que uma relação atualizada do quadro de pessoal será divulgada.
Dos poderes estaduais, a Assembleia foi a única que não divulgou a relação de funcionários. No ano passado, o Legislativo havia publicado pela primeira vez na história a sua lista de servidores. Os nomes foram divulgados por meio de uma lista impressa no dia 31 de março e distribuída à imprensa em 1.º de abril. Foi com base nessa lista e em cerca de 700 diários oficiais da Casa que a Gazeta do Povo e a RPCTV conseguiram apurar a série de denúncias que vêm sendo publicadas há pouco mais de duas semanas na série Diários Secretos, como a existência de servidores fantasmas.
Art. 234
O Estado publicará anualmente, no mês de março, a relação completa dos servidores lotados por órgão ou entidade, da Administração pública direta, indireta e fundacional, em cada um de seus Poderes, indicando o cargo ou função e o local de seu exercício, para fins de recenseamento e controle.
Trecho da Constituição Estadual que trata da divulgação obrigatória da relação de servidores dos órgãos públicos paranaenses.
MP ainda não decidiu se Justus vai depor
Chamar ou não o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Nelson Justus (DEM), para depor é uma decisão que o Ministério Público Estadual (MP) ainda não tomou. “Ninguém está livre de ser chamado a colaborar com as investigações. Mas ainda não nos pareceu necessário”, disse ontem o coordenador do Centro de Apoio das Promotorias de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, Arion Rolim Pereira.
Veja que o diretor de pessoal da Assembleia pediu afastamento do cargo
Diretor de pessoal pede afastamento; é a 3.ª baixa na Casa
O diretor de pessoal da Assembleia Legislativa do Paraná, Claudio Marques da Silva, pediu afastamento do cargo ontem. Com a saída dele, já são três as baixas no primeiro escalão do Legislativo em duas semanas.
O promotor Fuad Faraj recebeu na quarta-feira um ofício da corregedoria do Ministério Público Estadual (MP) pedindo informações concretas que comprovem a relação estreita de alguns promotores com os demais poderes do Paraná. Em entrevista à RPCTV no dia 26, Fuad disse que há uma rede de solidariedade envolvedo integrantes de vários poderes, incluindo o MP, que daria guarida, por ação ou omissão, a casos de corrupção em instituições paranaenses.
A Constituição determina que o rol de servidores seja divulgado com informações precisas, como local de trabalho e cargo ou função. A relação publicada em 2009 não revelava dados sobre a lotação dos 2.457 funcionários da Casa.
No ano passado, o Ministério Público Estadual (MP) recomendou à Assembleia que na próxima divulgação deixasse a lista mais completa, de forma a permitir o controle social e diminuir as possibilidades de funcionários fantasmas.
Apesar de prevista numa norma constitucional, a determinação de divulgar informações sobre o local de trabalho dos servidores não foi regulamenta e, portanto, não estabelece punições para quem a descumpre. O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) pretende propor uma lei para regulamentar o artigo constitucional. Isso evitaria que a exigência legal deixe de ser cumprida – como neste ano.
Compreensível
O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, Arion Rolim Pereira, disse ontem ser compreensível a não publicação da lista de servidores pela Assembleia neste momento. “É um indício de que houve preocupação com as informações”, afirmou. Segundo ele, a divulgação dos nomes antes de concluído o recadastramento levaria, provavelmente, à uma lista que não corresponderia à realidade.
O recadastramento dos funcionários da Assembleia foi anunciado em 10 de março, mas só saiu do papel nesta semana. Uma ficha de recadastro chegou a ser divulgada na internet, mas foi considerada muito extensa e está sendo substituída por um modelo mais compacto.
Contudo, o formulário não teria perguntas sobre o local de trabalho e o cargo dos servidores. Pereira reforçou que tais informações são essenciais e que, se o recadastramento não estiver mesmo exigindo dados sobre lotação e função, vai recomendar uma mudança no formulário.
Demais poderes
Com exceção do Legislativo, todos os outros poderes do estado cumpriram a Constituição do Paraná e colocaram a lista de seus. O governo estadual divulgou em fevereiro a lista de todos os seus servidores na internet (www.pr.gov.br/seap), com uma novidade em relação ao ano passado. Além do nome do funcionário, a relação também traz os salários deles.
O Tribunal de Justiça divulgou anteontem, na internet (www.tj.pr.gov.br), a lista dos servidores do Judiciário. O Tribunal de Contas (TC) também colocou, no site www.tce.pr.gov.br, o nome dos servidores que hoje fazem parte do órgão. E o Ministério Público Estadual (MP) fez o mesmo, na página www.mp.pr.gov.br.
Além dos poderes estaduais, a prefeitura de Curitiba (www.curitiba.pr.gov.br) e a Câmara Municipal (www.cmc.pr.gov.br) também colocaram na internet a lista atualizada de servidores.
Uma menina de 2 meses e um menino de 1 ano e 3 meses foram abandonados pelos pais em um monte de entulho na região central de São Paulo. A mais nova foi enrolada em um cobertor e colocada dentro de uma bolsa fechada, colocada no chão, junto ao lixo. Um morador de rua, que viu o bebê se mexendo na bolsa, salvou os dois. As informações são do Bom Dia São Paulo.
Segundo a reportagem, a Guarda Civil, que atendeu o caso, afirmou que as crianças tinham sinais de maus tratos. Os dois foram levados a um pronto-socorro e alimentados. A TV afirma que o pai das crianças, que também é morador de rua, foi levado, na semana passada, para explicar a falta de cuidados com os filhos. Desta vez, afirma a reportagem, ele foi ouvido pela polícia e novamente liberado. "A criança iria falecer e o lixão iria recolher. Sorte a gente ter chegado e conseguido salvar as crianças", disse Eduardo Cardoso, guarda municipal, à TV.
Rainha Silvia, da Suécia A soberana da Suécia financia projetos contra a exploração sexual infantil no Brasil, acha feijoada e farofa uma delícia e não se incomoda que a tratem por você
Eliane Trindade
“Rainha Silvia, cadê você, eu vim aqui só pra te ver.” Foi assim que a soberana da Suécia foi saudada por um grupo de estudantes de uma escola pública em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, na quarta-feira 20, primeiro compromisso oficial de sua visita ao Brasil. A rainha Silvia veio ver de perto o trabalho da Childhood Foundation (WCF), instituto criado por ela há quatro anos para atuar junto a crianças vítimas de abuso e exploração sexual. A quebra do protocolo não parece incomodar Sua Majestade, que acha essencial o contato com o povo. Os brasileiros têm um lugar especial no coração da rainha. Nascida na Alemanha, Silvia Renata de Toledo Sommerlath é filha de brasileira e viveu em São Paulo dos 4 aos 13 anos. Aos 59 anos, ela continua falando português, um dos seis idiomas que domina, fluentemente e quase sem sotaque. Adora comida brasileira, especialmente feijoada, farofa e vatapá, e carrega boas lembranças da infância em terras paulistanas. Vai levar de volta outra bela recordação desta sua última passagem pelo Brasil. Realizou na noite de quinta-feira o sonho de conhecer Pelé, um dos 400 convidados do jantar de gala no qual arrecadou fundos para o Instituto WCF-Brasil. Simples e sempre com um sorriso nos lábios, ela não veste o manto de personagem de um conto-de-fadas moderno. Conheceu o rei Carl Gustav quando trabalhava como intérprete na Olimpíada de Munique, em 1972. Foi amor à primeira vista, mas faz questão de dizer que a vida de rainha não é nada fácil. É o que conta nesta entrevista à Gente, concedida durante o trajeto que a levou de ônibus da capital paulista até São Vicente (SP), onde visitou um segundo projeto apoiado por sua fundação, na sexta-feira 20.
Como a senhora consegue manter um português tão bom e fluente? Depois que minha mãe morreu não tenho tanta possibilidade de falar a língua quanto antes, mas continuo falando português com meus três irmãos. Nos falamos sempre por telefone. E na maioria das vezes nos comunicamos em português. É a língua que nós falamos quando nos sentimos bem, quando estamos felizes. Quando temos algum problema, falamos em alemão. O português tem um quê diferente, é a língua do coração. O Brasil está sempre no meu coração. Vivi uma infância feliz aqui. Minha família era muito unida, mamãe tinha oito irmãos, tenho muitos primos.
Seus filhos aprenderam a falar português? Infelizmente, eles não falam. Mas cantam em português e gostam de música brasileira. Foi uma pena eles não terem aprendido a língua quando crianças. Deveria ter ensinado a eles, mas seria uma língua que meu marido não falaria. Então, não queria ter uma língua de segredo com meus filhos, algo que ele como pai não pudesse compartilhar.
O que a senhora tem de brasileira? Costumam dizer que meu coração é brasileiro, minha cabeça é alemã, mas inteira sou sueca.
Como é essa rainha de coração brasileiro? Sou espontânea. Os suecos são muito disciplinados. Também são um povo caloroso, mas com os amigos, na intimidade. Não gostam de externar isso. Eu tenho facilidade de falar com as pessoas, de estar com as pessoas.
Mesmo com a barreira do protocolo? Como a senhora lida por exemplo com a informalidade do brasileiro? O protocolo são regras para facilitar a vida. Então, não deve dificultar a vida de ninguém. Se todos conhecem as regras, tudo fica muito mais fácil. Mas não se deve exagerar. Aí é que vem o fantasma, aquela coisa difícil: “Ai, meu Deus, o que vou fazer, o que vou falar?”.
As pessoas que cercam a realeza são então literalmente mais realistas que o rei? De vez em quando, sinto que as pessoas ficam nervosas na minha presença. Tento ajudá-las.
A senhora não se importa de ser chamada de você? (Risos) Não, imagina. Isso acontece de vez em quando, não só no Brasil, mas não é um problema.
Rainha come feijoada? Foi a primeira coisa que desejei comer assim que cheguei aqui. Comi uma gostosa feijoada com farofa. Gosto muito de uma farofinha, que é uma delícia. É obrigatório. Também faço de vez em quando no palácio. Meu marido gosta muito de vatapá. Aprendi a fazer com minha mãe, é uma delícia.
A senhora é vaidosa? Um pouco, como todas as mulheres. Mas espero que não demais. Não tenho muito tempo para essas coisas. Nem sou expert em maquiagem, por exemplo. Mas o difícil mesmo é achar o tempo para se cuidar.
Rainha Silvia da Suécia abrirá Seminário Regional Sobre Tráfico de Pessoas e Exploração Sexual no Brasil
Sua Majestade a Rainha Silvia da Suécia estará em São Paulo, no dia 25 de março, para abrir o Seminário Regional sobre Tráfico de Pessoas e Exploração Sexual, no Hotel Tivoli. O encontro integra a agenda da visita oficial de Estado que o Rei Carl XVI Gustaf e a Rainha Silvia fazem ao Brasil.
O evento reunirá participantes dos países Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Os participantes - autoridades policiais, promotores e procuradores, representantes do governo e das Nações Unidas, pesquisadores e membros de organizações da sociedade - irão compartilhar experiências bem sucedidas em relação ao tráfico de pessoas, considerado a forma moderna de escravidão. O Seminário Regional tem como objetivo o fortalecimento da plataforma nacional e regional para enfrentamento a esse tipo de crime na região. Como contribuição ao debate, a Suécia compartilhará sua experiência política e prática na área.
O tráfico de pessoas é um dos crimes mais graves da atualidade, e que atinge a pelo menos 2,5 milhões de pessoas e movimenta 32 bilhões de dólares por ano - sendo que a exploração sexual de mulheres é responsável por 79 % desse quadro. O Seminário é uma oportunidade de reunir alguns dos maiores especialistas do mundo nesse tema, que estarão à disposição dos jornalistas durante o evento.
Além de Sua Majestade a Rainha Silvia da Suécia, estarão presentes a Primeira Dama do Brasil, Marisa Letícia da Silva; o Ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto; o Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi; a Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire; o Ministro de Desenvolvimento Social da Suécia, Göran Hägglund e o representante regional do UNODC, Bo Mathiasen.
Pedimos a gentileza de os jornalistas interessados em realizar a cobertura do evento que enviem nome completo, veículo e número de documento de identidade para marcos.santos@unodc.org.
O governador Roberto Requião afirmou nesta segunda-feira (22), durante a reunião Mãos Limpas, que o Paraná vai renegociar com o Ministério da Justiça a liberação de verbas para uma penitenciária feminina em Foz do Iguaçu. O governo federal ofereceu recursos para a construção de uma unidade semi-aberta que, segundo o governador, seria pouco útil na região.
“Existe a possibilidade de fazermos uma penitenciária feminina em Foz do Iguaçu, e o ministério nos liberou uma unidade semi-aberta. Mas como não existe ainda uma unidade fechada, não tem como construir uma aberta”, afirmou o governador.
Segundo Requião, os repasses foram autorizados pelo ministério porque seria uma construção mais barata. “A semi-aberta não tem utilidade se uma penitenciária normal, fechada, não for construída. Nós entendemos que com a troca de ministro possa haver confusão, mas vamos tentar chegar a um entendimento”, disse.
O Tribunal de Justiça do Paraná informou nesta terça-feira (16) que determinou a cassação do prefeito de Ivatuba (a 42 quilômetros de Maringá), Vanderlei Oliveira Santini. A condenação, publicada no dia 3, ocorreu por causa de denúncias de corrupção. Em 2002, o prefeito, por meio de uma terceira pessoa, teria oferecido R$ 30 mil a um vereador da oposição para que se afastasse do cargo com a finalidade de evitar denúncias sobre irregularidades supostamente cometidas na gestão municipal.
A decisão foi tomada atendendo pedido do Ministério Público do Paraná, feito em embargos de declaração a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Durante o julgamento, o desembargador relator, Noeval de Quadros, afirmou que a natureza e a gravidade do suposto crime praticado por Santini são incompatíveis com a moralidade exigida do chefe de um dos poderes do Estado.
“Não há dúvida que o ato de corrupção ativa, praticado pelo prefeito, com o intuito de quebrar a harmonia entre os poderes, eliminando a crítica que porventura poderia lhe fazer o vereador adversário, foi realizado prevalecendo-se de sua condição política e constituiu uma afronta aos postulados que a administração pública impunha ao réu, tornando incompatível a sua permanência no mandato popular, que teria de estar fundado na estrita observância desses deveres”, afirmou Quadros.
Decisão anterior
Segundo a assessoria de comunicação do MP, em outubro do ano passado, uma outra decisão do TJ-PR já havia confirmado sentença da 4ª Vara Criminal da Comarca de Maringá, condenado o prefeito e o radialista Miguel Barboza do Nascimento, pela prática de corrupção ativa.
O político recebeu pena de dois anos e 9 meses, enquanto o comunicador recebeu dois anos de reclusão; que foram transformadas em prestação de serviços à comunidade. A perda do mandato, no entanto, não havia sido aplicada, motivo pelo qual o MP-PR pediu novo pronunciamento do Judiciário sobre a questão.
A reportagem do JM tentou contato com Santini no final da tarde desta terça-feira (16), mas ninguém atendeu o telefonema na prefeitura. O prefeito ainda pode recorrer da decisão.